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Uma semana em João Pessoa

Chegado nas capitais é hora de trabalhar e mais um detalhe, precisamos fazer a revisão em nossas bicicletas já foram mais de 800 quilômetros, a minha (Felippe) bicicleta estava quase sem as tamancas de freio e a relação muito desgastada. Logo quando chegamos fomos em uma bicicletaria de confiança de Marco Túlio e agendamos a revisão delas para a próxima segunda-feira.

Como comentamos no post anterior tivemos notícia sobre a pochete que caiu no rio e coincidentemente Marco Túlio iria fazer um passeio com um pessoal da Alemanha no dia seguinte para Praia Bela. Chegando em Praia Bela e no bar que a mulher nos informou, percebi que foi o mesmo bar que tínhamos sido convidados para dormir no dia anterior, fiquei impressionado com tanta coincidência. Ter meus documentos de volta foi um problema a menos na viagem, eu já imaginava o transtorno que seriar tirar tudo de novo.

A semana em João Pessoa foi bem cheia, principalmente pela tarde onde tínhamos muito trabalho, a noite era a nossa folga e algumas vezes fomos na orla da cidade para passear e conhecer a cidade. Em uma das noites, fomos comer tapioca com alguns membros do CouchSurfing na famosa feirinha da cidade, estávamos lá sentados e vimos uma equipe de jornalismo fazendo uma reportagem e encontramos a oportunidade perfeita para conseguir uma matéria do projeto, conhecemos a jornalista Venessa da Record, que dias depois fez uma bela reportagem sobre o Projeto 4 Pedais e também sobre pedalar nas cidades. No mesmo dia, em uma volta pelo calçadão um grupo de pessoas que estava sentado em uma mesa de bar nos abordou e perguntou de onde éramos, ficamos conversando por um bom tempo e contamos toda a história. Durante toda a viagem é assim, fazendo colegas por todos os lugares que passamos.

Um “Tapa na Peruca”

Ah é, outra coisa, nossa estada em João Pessoa foi marcada pela mudança do visual, Yelena, esposa de Marco Túlio havia falado que nós precisávamos cortar o nosso cabelo para sairmos bonito na televisão, rs. Fomos no cabeleireiro amigo de “Marco Preto” e tivemos o cabelo cortado e ainda direito a um lanche com suco de acerola! Só temos a agradecer.

Na Segunda-feira, dia 28 de Setembro chegou Bruno Conrado, inspirado pela aventura irá nos acompanhar até onde for possível. Marinheiro de primeira viagem, chegou em João Pessoa com completo excesso de bagagem para uma viagem de bicicleta, o dia seguinte foi um dia de muito trabalho, tivemos que filtrar toda sua bagagem e fazer as compras para viagem.

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Recife – João Pessoa – Os dois últimos dias

21 e 22/09/2009 – A noite em praia bela começou tão complicada quanto a da noite anterior, as muriçocas estavam a milhão, nem repelente, nem sentinela e nem o tecido da rede intimidava elas, tentamos dormir na rede mas foi praticamente impossível, só tínhamos 2 opções, ficar no desespero a noite inteira ou armar a barraca e dormir tranquilo, foi isso que eu (Felippe) fiz, não aguentei e decidi armar a barraca próximo a praia. Dan ainda tentou driblar as muriçocas armando uma tenda improvisada com algumas cadeiras mas não teve sucesso e depois de muito tempo foi para barraca, isso lhe rendeu as costas completamente picada.

Acordar com o nascer do sol em Praia Bela foi muito bom, aquele visual logo estigou fazer algumas fotos. Hora de arrumar as coisas e continuar a viagem, ao final da arrumação conhecemos um casal do Rio Grande do Sul que passava pela praia, batemos um papo e seguimos.

Menos um ipod, celular, cartão de crédito e vários documentos

Logo a frente nos deparamos com um rio com uma largura e profundidade considerável, não era possível atravessar pedalando então tivemos que levantar as bicicletas para cruzá-lo. A bicicleta de Dan por ser mais leve e também por ser muito complicado retirar a bagagem foi fácil cruzar, a minha, por conta da arrumação possibilitou esvaziá-la e ir em partes. Bicicleta arrumada continuamos a pedalar, mas minutos depois eu percebi alguma coisa estranha, a pochete que ficava abraçada com a bolsa do guidão não estava, foi então que eu percebi que ela tinha caído no rio, Dan ao atravessar não percebeu que ela estava somente apoiada. Decidimos voltar para ver se achávamos alguma coisa, mas eu não tinha esperanças, a força do rio era grande e a maré estava secando, jogando as coisas para dentro do mar.

Ali naquele momento meu dia tinha acabado, na pochete estava meu ipod, celular, cartão de crédito e todos os documentos. Continuamos pedalando, não havia muito o que fazer. Passamos pela praia de nudismo de Tambaba, mesmo vestidos, pois viemos pela praia e não houve necessidade de passar pela fiscalização na entrada. Desanimado, não estava com a menor animação de ficar na praia, só queria pedalar e chegar logo em João Pessoa para começar a resolver minhas perdas, não tem como viajar sem documento e principalmente sem dinheiro. Demos uma parada em um restaurante na entrada de Tambaba e um senhor veio me perguntar logo de onde vinha, ao falarmos do ocorrido ele ofereceu um espaço para acamparmos e ligar para o banco para cancelar o cartão. Ficamos algumas horas lá conversando até que decidimos seguir com a viagem, no dia seguinte era o Dia Mundial Sem Carro e queríamos estar em João Pessoa para participar de alguma atividade que viesse a acontecer.

Seguimos para praia de Coqueirinho para adiantar o dia e dar tempo de chegar em Jampa para o DMSC, mas acabamos passando por ela e continuamos até Tabatinga. O visual dessas praias eram incríveis, até animou Felippe um pouco mais. Cheganho em Tabatinga achamos em bar de praia e logo pedimos para acampar no terreno. O dono nos ofereceu água, uma carona pra cidade para comprar pães e foi bastante hospitaleiro nos chamando para acampar no terreno da pousada, que tinha um pouco mais de estrutura. Porém preferimos ficar no bar mesmo e montar barraca para acampar. Cedo fomos durmir e foi uma noite muito boa, o dia tinha sido triste, mas em viagens como essa não podemos esmorecer com dificuldades, temos que estar abertos a qualquer adversidade.

Segundo dia, chegando em João Pessoa

Como de costume acordamos cedo, preparamos tudo e partimos rumo a João Pessoa. A manhã foi muito agradável, mas o trecho era também cheio de ladeiras. Não existia possibilidade de ir pela areia porque tinha rios, e rio era a última coisa que queríamos ouvir no momento devido a perda do dia anterior. Cada placa que passávamos tiramos fotos, a vontade de chegar em Jampa era muito forte.

E finalmente chegamos! Fomos por toda a orla de João Pessoa e paramos em Tambaú para acessar internet e ver se estava acontecendo alguma coisa do DMSC, mas infelizmente nada ocorria, nem mesmo no site da prefeitura tinha notícias a respeito, nada na mídia, muita decepção. Apesar de ter tido o nome na lista de cidades que estariam oficialmente participando do DMSC, nada aconteceu, nossos lamentos.

Logo após ver isso recebemos um email de André, nosso amigo de Recife dizendo que tinham ligado pra ele falando de uma pochete achada. Incrível, mesmo o celular não funcionando eles acharam um número no bloco de notas e ligaram. Felippe posteriormente foi buscar em praia Bela de carona e conseguiu os documentos de volta. O celular já não estava mais e o ipod não aguentou a água do mar e quebrou.

Encontramos então com Marco Túlio, o nosso host em João Pessoa, não sabíamos até então mas ele era muito envolvido com a bicicleta e já estava acostumado a hospedar pessoas que viajavam de bicicleta. Tivemos um super almoço em família e aproveitamos o restante do dia passeando pela cidade, vendo algumas lojas de bicicleta e conversando bastante com Marco.

Veja mais fotos desses dois dias da aventura Recife – Jampa. Comente e divulgue para seus amigos! =) Em breve mais textos, nesse momento já estamos em Pipa, indo para Natal amanhã.

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Recife – João Pessoa – Segundo Dia

20/09/2009 – Acordamos cedo e um tanto quanto estressados pois na verdade nem conseguimos dormir direito devido a quantidade exorbitante de muriçocas que nos comiam vivos durante a noite. Mas abstrai, como costumamos dizer e pedal na estrada. Hora de deixar a famosa ilha de Itamaracá.

Saímos da casa desocupada que nos serviu muito bem de abrigo com direito a chuveiro e tudo mais e pedalamos uns 200 metros pra chegar na praia, onde supostamente teria alguém para nos atravessar pelo rio. Mas era domingo e estava tudo vazio, tinha apenas um indivíduo na praia torrando no sol e algumas poucas pessoas caminhando na areia. Ficamos a espera, gritando e assobiando para os barcos na outra margem, chegamos até pendurar a camiseta num tronco de madeira pra ver se alguém nos via, mas nada, lá se foi pelo menos uma hora esperando. Até que um pescador viu nosso esforço e nos socorreu com sua jangada. Coitado dele, sofreu horrores pra atravessar pois a jangada estava extremamente pesada e não tinha quase nada de vento. Levamos mais de hora pra atravessar uns 500 metros e no final ele tentou arrancar 10 reais da gente, mas acostumados a pagar no máximo 2 reais pra cada travessia, oferecemos 5 (porque ele se esforçou mesmo) e prosseguimos. Dali ainda passamos num mercadinho, compramos pães e ovos e pedimos para um senhor fritar pra gente. Muito gente boa ele nem hesitou, delícia de café da manhã.

Carne de Vaca

Seguimos por estrada para Barra de Catuama. Tentamos um trecho pela praia mas a areia era muito fofa e não deu, e nos cansou bastante na realidade. Voltamos para pista até Ponta de Pedras e seguimos até Carne de Vaca. O caminho pra lá foi monótono até chegarmos na entrada da cidade, que nos surpreendeu com um lindo visual. E chegando na praia paramos pra tomar um refri e relaxar as pernas, o trecho tinha sido um pouco cansativo apesar de curto.

Partimos logo pois uma bicicleta que vende cds piratas logo parou do nosso lado com um som altíssimo tocando brega nos nossos ouvidos. Nós que estávamos tão quietinhos ouvindo nosso reggae não tivemos escolha, como diz o ditado, os incomodados que se retirem.

Vamo que vamo até a próxima balsa em Carne de Vaca mesmo, chegando lá, mais brega na cabeça, agora o jeito era aguentar pois o dono do bar nos comunicou que ia demorar pelo menos uma hora pra chegar a próxima balsa, na verdade foram duas longas horas. Mas até que o tempo foi bem aproveitado, Felippe logo se jogou no rio e eu liguei para minha família em Curitiba. Depois compramos uns caldinhos e pra render, enchemos de farinha e fizemos um pirão improvisado, que caiu muito bem. Conhecemos Marcelo que estava com um grupo de motociclistas, tinha sido aniversário dele no dia anterior e ele estava ali comemorando com amigos com muita farra e também uma família cujo pai ficou impressionado com a viagem e disse que queria muito fazer algo do tipo.

A balsa chegou, lá vamos nós!

No outro lado foi só pedalar, nem paramos pra nada, já era tarde, tínhamos perdido muito tempo em travessia de rios, tudo foi um pouco desgastante e bem improdutivo. Passamos por Pitimbú e nosso objetivo era chegar em Tambaba. No caminho já na estrada direta pra Tambaba demos uma paradinha para deixar nossa marca no caminho (ver fotos). Ah, deixando claro que isso não é anti ambiente ou algo do tipo, com o tempo a chuva limpa! =)

Praia Bela

O caminho pra Tambaba é cheio de ladeiras! Isso realmente nos quebrou as pernas literalmente, a cada emocionante descida, uma desanimadora subida. Bem, mas quem está na chuva é pra se molhar, não nos deixamos esmorecer e prosseguimos até chegar no recompensador paraíso de Praia Bela. Ali contemplamos um pouco o visual e decidimos acampar na praia mesmo, até tivemos sorte que conseguimos um PF de 5 reais e a dona do bar ofereceu para ficarmos com o segurança que providenciou redes e proporcionou uma boa conversa antes de dormir.

Veja todas as fotos do segundo dia do trajeto de Recife a João Pessoa.

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