Tag: Pontal da Ilha

Recife – João Pessoa – Segundo Dia

20/09/2009 – Acordamos cedo e um tanto quanto estressados pois na verdade nem conseguimos dormir direito devido a quantidade exorbitante de muriçocas que nos comiam vivos durante a noite. Mas abstrai, como costumamos dizer e pedal na estrada. Hora de deixar a famosa ilha de Itamaracá.

Saímos da casa desocupada que nos serviu muito bem de abrigo com direito a chuveiro e tudo mais e pedalamos uns 200 metros pra chegar na praia, onde supostamente teria alguém para nos atravessar pelo rio. Mas era domingo e estava tudo vazio, tinha apenas um indivíduo na praia torrando no sol e algumas poucas pessoas caminhando na areia. Ficamos a espera, gritando e assobiando para os barcos na outra margem, chegamos até pendurar a camiseta num tronco de madeira pra ver se alguém nos via, mas nada, lá se foi pelo menos uma hora esperando. Até que um pescador viu nosso esforço e nos socorreu com sua jangada. Coitado dele, sofreu horrores pra atravessar pois a jangada estava extremamente pesada e não tinha quase nada de vento. Levamos mais de hora pra atravessar uns 500 metros e no final ele tentou arrancar 10 reais da gente, mas acostumados a pagar no máximo 2 reais pra cada travessia, oferecemos 5 (porque ele se esforçou mesmo) e prosseguimos. Dali ainda passamos num mercadinho, compramos pães e ovos e pedimos para um senhor fritar pra gente. Muito gente boa ele nem hesitou, delícia de café da manhã.

Carne de Vaca

Seguimos por estrada para Barra de Catuama. Tentamos um trecho pela praia mas a areia era muito fofa e não deu, e nos cansou bastante na realidade. Voltamos para pista até Ponta de Pedras e seguimos até Carne de Vaca. O caminho pra lá foi monótono até chegarmos na entrada da cidade, que nos surpreendeu com um lindo visual. E chegando na praia paramos pra tomar um refri e relaxar as pernas, o trecho tinha sido um pouco cansativo apesar de curto.

Partimos logo pois uma bicicleta que vende cds piratas logo parou do nosso lado com um som altíssimo tocando brega nos nossos ouvidos. Nós que estávamos tão quietinhos ouvindo nosso reggae não tivemos escolha, como diz o ditado, os incomodados que se retirem.

Vamo que vamo até a próxima balsa em Carne de Vaca mesmo, chegando lá, mais brega na cabeça, agora o jeito era aguentar pois o dono do bar nos comunicou que ia demorar pelo menos uma hora pra chegar a próxima balsa, na verdade foram duas longas horas. Mas até que o tempo foi bem aproveitado, Felippe logo se jogou no rio e eu liguei para minha família em Curitiba. Depois compramos uns caldinhos e pra render, enchemos de farinha e fizemos um pirão improvisado, que caiu muito bem. Conhecemos Marcelo que estava com um grupo de motociclistas, tinha sido aniversário dele no dia anterior e ele estava ali comemorando com amigos com muita farra e também uma família cujo pai ficou impressionado com a viagem e disse que queria muito fazer algo do tipo.

A balsa chegou, lá vamos nós!

No outro lado foi só pedalar, nem paramos pra nada, já era tarde, tínhamos perdido muito tempo em travessia de rios, tudo foi um pouco desgastante e bem improdutivo. Passamos por Pitimbú e nosso objetivo era chegar em Tambaba. No caminho já na estrada direta pra Tambaba demos uma paradinha para deixar nossa marca no caminho (ver fotos). Ah, deixando claro que isso não é anti ambiente ou algo do tipo, com o tempo a chuva limpa! =)

Praia Bela

O caminho pra Tambaba é cheio de ladeiras! Isso realmente nos quebrou as pernas literalmente, a cada emocionante descida, uma desanimadora subida. Bem, mas quem está na chuva é pra se molhar, não nos deixamos esmorecer e prosseguimos até chegar no recompensador paraíso de Praia Bela. Ali contemplamos um pouco o visual e decidimos acampar na praia mesmo, até tivemos sorte que conseguimos um PF de 5 reais e a dona do bar ofereceu para ficarmos com o segurança que providenciou redes e proporcionou uma boa conversa antes de dormir.

Veja todas as fotos do segundo dia do trajeto de Recife a João Pessoa.

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Recife – João Pessoa – Primeiro Dia

19/09/2009 – Chegou o dia de partimos de Recife, depois de duas longas semanas a hora havia chegado. No dia anterior, finalmente foi entregue o novo notebook de Dan, foi uma resenha receber esse computador, com a mudança de endereço toda hora fica super complicado receber correspondências. Com tudo pronto, nos despedimos de nossa querida hoster Leila Paiva e caímos na estrada.

Olinda

Subindo o litoral norte de Pernambuco passamos por Olinda, com uma paisagem muito bonita do mar e muitas pessoas fazendo suas caminhadas matinais na orla da cidade, era um sábado de céu limpo e sol forte, perfeito para a ocasião. Até paramos pra tomar um caldo de cana no caminho.

Seguimos até a cidade de Maria Farinha, no caminho havia um grande movimento de ciclistas para todos os lados. Mesmo sem muita infraestrutura, nem mesmo um acostamento decente, ele andavam felizes na pista e nós também, dividindo as ruas com motos, carros, ônibus e até caminhões. Chegando em Maria Farinha pegamos uma balsa, por sinal a mais cara de toda a viagem (2 reais), para atravessar o primeiro rio do dia e entrar na cidade de Nova Cruz. Na balsa conhecemos um casal muito simpático que estava passeando de motocicleta e aproveitando o belo dia e o verão que vem chegando.

Todo esse trecho possui uma beleza natural bastante admirável, com áreas de mangue e também do rio com encontro do mar. Para chegarmos na ilha de Itamaracá passamos por um praia chamada Mangue Seco, muito interessante por possuir areia de cor cinza com águas bem calmas, uma região quase que intocada, possui apenas alguns bares e alguns resorts. Além disso, existe também grande quantidade de pescadores, provavelmente de vilas ribeirinhas.

Coroa do Avião

Seguimos pela praia até a Coroa do Avião para pegar um barco, atravessar o segundo rio e pisar na ilha de Itamaracá. Como a maré estava vazia foi fácil atravessar pra Coroa, caso não estive teriamos que abortar a missão, pois não havia barco para travessia. Chegando na Coroa decidimos fazer um brake para curtir a belíssima paisagem da região, descansar e também almoçar. No bar que ficamos conhecemos um grupo “tri legal” do Rio Grande do Sul que estava passeando pelo estado de Pernambuco, fugindo do frio e curtindo a breve chegada do verão. Fizemos miojo mesmo para economizar, e tivemos sorte que no final o guia do grupo nos ofereceu um peixinho frito que estava uma delícia!

Forte Orange e Projeto Peixe-Boi (IBAMA)

Após o descanso do almoço, pegamos nossas bicicletas e subimos no barco para atravessar para ilha de Itamaracá. A princípio era 7 reais para atravessar de barco cerca de 400 metros e obviamente achamos um absurdo e isso era assim só porque o lugar é altamente turístico, mas conversamos com o dono do barco e depois de muito reclamar ele fez de graça. Ótimo! Lá fomos ao famoso forte Orange para ter uma visão com outra perspectiva, a entrada era 2 reais e mais uma vez conversamos com o segurança e ele liberou a entrada. Após a visita, seguimos para um lugar logo ao lado chamado Projeto Peixe-Boi, mantido pelo IBAMA e com entrada franca, finalmente. O espaço é bem legal, possui cinema, exposição explicativa dos maiores mamíferos do planeta, com alguns fósseis, além dos aquários com os peixes-boi.

O fim do dia estava chegando, decidimos pedalar mais um pouco e parar no final da ilha de Itamaracá, numa praia chamada Pontal da Ilha. No caminho tivemos que atravessar mais um rio e enquanto esperávamos a canoa, revolvemos tomar um banho com os meninos que ali se estavam e se divertir um pouco. Mais uma região com grande beleza natural, rio de água clara com encontro do mar e vegetação de mangue.

Atravessamos para Praia do Sossego e a pouco mais de 5km chegamos em Pontal da Ilha. Procuramos uma casa para ficar, tomamos um banho e jantamos. O dia foi bem tranqüilo, pedalamos aproximadamente 60km em terreno praticamente plano, nada cansativo, apesar que no final do dia sempre ficamos exaustos.

Veja mais alguma fotos do primeiro dia do trajeto Recife – João Pessoa e claro, como sempre, deixe seu comentário, opinião, pitaco, two cents, whatever! =)


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